Dólar
R$ 5.05 Desceu
Euro
5.861 Desceu
Brasília
26°C 26°C 17°C

Explore Mais

Colunas exclusivas e conteúdos especiais

venda de sentença MT
O deputado estadual Faissal Calil (PL-MT): mais um bolsonarista que discursa sobre moral e bons costumes envolvido em corrupção. Foto: ALMT
BRASIL

Venda de sentença em MT: mais um bolsonarista na área

Deputado Faissal e desembargador são alvos de busca da PF

A Polícia Federal (PF) deflagrou nesta segunda-feira (8) a Operação Gemini, colocando sob os holofotes o que parece ser o esporte favorito de certas alas do Poder Judiciário e da política mato-grossense: a venda de sentença. Entre os alvos da investida estão o desembargador Dirceu dos Santos, o deputado estadual bolsonarista Faissal Jorge Calil Filho (PL) e o advogado Bruno Oliveira Castro. O trio é investigado por operar um esquema milionário de comercialização de decisões judiciais e lavagem de dinheiro dentro do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), servindo aos interesses de barões do agronegócio.

A investigação, que tramita no Superior Tribunal de Justiça (STJ), aponta que o desembargador Dirceu dos Santos utilizava o deputado Faissal Calil como uma espécie de “caixeiro-viajante” de luxo, intermediando o recebimento de vantagens indevidas e ocultando a origem dos recursos através de transações imobiliárias simuladas. Relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) identificaram movimentações suspeitas que ultrapassam R$ 3,2 milhões em espécie, além de um montante atípico de R$ 14,6 milhões nas contas do magistrado ao longo de cinco anos.

O luxo do crime e a sombra de Zampieri

Durante o cumprimento dos mandados de busca e apreensão, a PF encontrou o “kit básico” da corrupção de alto escalão: relógios Rolex, canetas de luxo e armas. O esquema, segundo os investigadores, funcionava com uma estrutura quase empresarial, onde empresas do agronegócio pagavam para obter decisões favoráveis em processos que tramitavam no tribunal. É a justiça brasileira sendo fatiada e vendida no balcão de quem tem mais terra e menos escrúpulos.

Essa nova frente de investigação é um desdobramento do rastro de sangue deixado pelo assassinato do advogado Roberto Zampieri, em dezembro de 2023. O celular de Zampieri tornou-se uma verdadeira “caixa de Pandora”, revelando uma rede de espionagem, homicídios sob encomenda e um mercado persa de sentenças que já resultou no afastamento de outros desembargadores, como Sebastião de Moraes Filho e João Ferreira Filho. O bolsonarismo, que sempre bradou contra a corrupção, agora vê um de seus expoentes locais atolado até o pescoço na lama do Judiciário.

A defesa do “eu não sabia” e o futuro da Gemini

O deputado Faissal Calil, seguindo o roteiro clássico de seus correligionários, apressou-se em dizer que a operação não tem relação com seu mandato e que “perdeu o contato” com o desembargador desde que saiu do tribunal. Já a defesa do advogado Bruno Oliveira Castro alega que ele apenas representava partes em processos. No entanto, para a PF, os indícios de corrupção passiva, lavagem de dinheiro e advocacia administrativa são robustos o suficiente para manter o cerco fechado sobre a organização criminosa.

A Operação Gemini é mais um lembrete de que a soberania nacional e a justiça social são impossíveis enquanto o sistema de justiça for loteado por interesses privados. O “Pior Congresso da História” e suas ramificações estaduais continuam operando para garantir que o lucro do capital esteja sempre acima da lei.

A Frente Livre seguirá acompanhando cada passo dessa investigação, porque se tem bolsonarista e venda de sentença MT no mesmo parágrafo, o cheiro de queimado é sentido em todo o país.

Deixe seu comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Final da página
WhatsApp

Frente LIVRE

Normalmente responde dentro de uma hora
Frente LIVRE

Olá 👋

Fale com o ciberporto da esquerda popular ✊💡

20:57