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Trump always chickens out, dizem os americanos. Foto: Casa Branca
GEOPOLÍTICA

Irã truca de volta, Trump amarela e cede

Ormuz expôs a fragilidade da máquina bélica dos EUA

Os norte-americanos mais escolarizados cultivam uma expressão que chamam de TACO. São as iniciais de Trump always chickens out. Que, em português, significa: Trump sempre amarela. No mais absurdo, nefasto e inaceitável episódio TACO, o neofascista presidente dos EUA, Donald Trump, recuou há pouco da ameaça que fizera ontem, de hoje, pontualmente às 21h, hora de Washington (23h no Brasil), aniquilar a civilização persa, no caso de o Irã não reabrir o Estreito de Ormuz.

O mundo inteiro condenou a ameaça. E o mundo inteiro contou as horas esperando uma loucura — talvez o primeiro ataque nuclear desde Hiroshima e Nagasaki, em 1945. Se o fizesse, decerto Trump precipitaria uma reação global, inevitavelmente trazendo Rússia e China para dentro do conflito e, portanto, abrindo a terceira grande guerra do planeta.

Mas TACO! A poucas horas do fim do prazo, o neofascista que preside os Estados Unidos anunciou um cessar-fogo de duas semanas, aceitando a proposta mediadora apresentada pelo Paquistão 48 horas antes e, então, rejeitada tanto por EUA quanto pelo Irã.

Diante da ameaçadora bravata, o Irã não só havia dado de ombros para a exigência do agressor. Fizera mais. Estabeleceu uma nova regra de navegação para Ormuz, que é um pequeno pedaço do Golfo Pérsico por onde trafegam mais de 20% do petróleo mundial. A partir de agora, o navio não passa por lá se o mastro mostrar uma bandeira dos EUA ou de Israel. Se for aliado deles, pagará um pedágio aos iranianos.

Quem ousar cruzar o pedágio sem pagar, avisou a Guarda Revolucionária Islâmica, receberá o mesmo tratamento dado ao USS Gerald Ford, o bilionário porta-aviões dos EUA, ou o USS Tripoli, conhecido como “Relâmpago dos Mares”, uma maravilha da marinha norte-americana.

Ambos foram enxotados por ataques de mísseis balísticos e torpedos lançados pelos submarinos Ghadir, que patrulham aquelas águas. Chegaram perto demais, foram atacados e recuaram. O Ford está atracado em Creta, na Grécia, para reparos. O Tripoli navegou rumo ao Oceano Índico, com mísseis hipersônicos atrás dele.

Já se pode dizer: Trump perdeu a guerra

O ataque ao Irã jamais deveria ter acontecido. Nos EUA, crê-se que foi feito para desviar a atenção. Trump está envolvido até o talo no Escândalo Epstein. Há toneladas de indícios, desde fotos, vídeos e depoimentos, segundo os quais ele não passa de um pedófilo. E mais, que usou a estrutura do Estado para encobrir seus crimes.

Epstein era um bilionário judeu que trabalhava para o Mossad, o serviço secreto do Governo de Israel. Era dono de uma ilhota nas Ilhas Virgens Americanas, no Caribe, chamada Little Saint James. Lá, recebia bilionários e políticos poderosos, em festas que misturavam drogas, sexo com crianças (muitas americanas, mas a maior parte delas aliciadas em várias partes do mundo) e muita bebida. Houve um testemunha que afirmou ter visto aqueles senhores devorando o corpo de uma menina que morrera.

Filmes e chantagem

A “farra” era filmada secretamente. E os vídeos resultantes delas serviram para o Governo de Israel chantagear os poderosos norte-americanos durante muitos anos. Seria este o motivo do apoio cego e irrestrito dos EUA a Israel, mesmo diante do genocídio em Gaza, por exemplo.

O Irã é um país grande, tem 93 milhões de habitantes. A revolução islâmica de 1979 derrubou uma monarquia pró-ocidente e empoderou os aiatolás, que são autoridades clericais do islã xiita. Com eles, veio uma legislação rigorosa nos costumes e uma planificação econômica para livrar o país da dependência dos EUA.

O Irã, que é o nome atual da antiquíssima civilização persa, considera ilegítima a existência do Estado de Israel, criado em maio e 1948. Condena o vizinho pelo sionismo — a política de expansão contínua e colonialismo genocida no Oriente Médio. E defende abertamente a aniquilação de Israel.

O que liga uma coisa a outra é o envolvimento de Trump no Caso Epstein, que o tornou um presidente débil, fraco e necessitado de uma guerra. Por isso ele topou o primeiro bombardeio ao Irã, em 2025, e o ataque atual, iniciado em fevereiro. Ambos foram tramados por Benjamin Netanyahu, primeiro ministro de Israel, que arrastou seu “irmão mais forte” para a briga na rua de casa.

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Por que Trump perdeu

A guerra não saiu como os EUA/Israel queriam porque o Irã se negou a batalhar como se esperava. A dupla neofascista anda armada até os dentes, mas com armas caríssimas, milionárias, cheias de tecnologia, difíceis de fabricar. O Irã tem um arsenal gigante de mísseis balísticos baratos. Quando os lança, obriga os inimigos a gastarem bilhões para se defenderem. O que faz com que ambos tenham que redirecionar dinheiro dos impostos para financiar a guerra.

Paralelamente, o Irã tomou o controle do Estreito de Ormuz e, em questão de dias, jogou o preço do barril de petróleo nas alturas. O galão de gasolina nos EUA já está no patamar mais alto em quatro anos e até os militantes do MAGA, o movimento neofascista, estão virando a cara para Trump e sua guerra maluca. Daí a obsessão dele em reabrir o Estreito.

Não há mais o que fazer. O Irã já provou seu ponto. Venceu a guerra com uma estratégia militar-econômica e comprovou que a estrutura bélica caríssima dos Estados Unidos não tem sustentabilidade. Serve para impor medo e terror e vencer batalhas curtas. O exército persa venceu mais uma.   

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