Depois de ter sido colocado como caixa eletrônico das falcatruas do Banco Master, o Banco de Brasília (BRB) virou o mais novo ralo de dinheiro público do país. Uma operação de socorro financeiro que pode chegar a R$ 6,5 bilhões foi desenhada para evitar o colapso da instituição estatal, escancarando o fracasso da gestão do ex-governador bolsonarista Ibaneis Rocha (MDB) e de sua vice, atual governadora, ainda mais bolsonarista Celina Leão (PP). O acordo envolve o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) e um consórcio de bancos públicos e privados, mas quem vai pagar a conta real dessa farra financeira é a classe trabalhadora e o funcionalismo público do Distrito Federal.
A União lavou as mãos e se recusou a transferir dinheiro diretamente ou oferecer garantia federal para cobrir o rombo. Com isso, o governo do DF precisou colocar o patrimônio público na mesa de negociações. As contragarantias oferecidas aos banqueiros incluem os recursos do Fundo de Participação dos Estados (FPE) e do Fundo de Participação dos Municípios (FPM). Ou seja, se o BRB não pagar a dívida, o dinheiro que deveria ir para saúde, educação e infraestrutura será sugado pelo sistema financeiro privado.
Austeridade para o povo, bilhões para o banco
A fatura do socorro bilionário já foi repassada aos trabalhadores. Em troca da flexibilização das regras para obter o empréstimo, o Distrito Federal aceitou impor um pacote de austeridade brutal. O acordo proíbe novos concursos públicos, limita reajustes salariais e veda a criação de cargos que aumentem despesas. O servidor público, que não tem culpa pela má gestão do banco, foi escolhido como bode expiatório para garantir a estabilidade do sistema financeiro.
Essas medidas draconianas valerão até que o empréstimo seja totalmente quitado ou até que o DF volte a atingir a nota máxima na avaliação de capacidade de pagamento do Tesouro Nacional.
O mercado financeiro sempre ganha
A operação ainda depende da análise do plano de negócios do BRB e da aprovação técnica do FGC. No entanto, o desenho do acordo já revela quem sai ganhando. Bancos privados atuarão como fiadores e lucrarão com os juros da operação, enquanto o Estado entrega suas receitas constitucionais como garantia. O colapso do BRB é a prova definitiva de que a gestão da direita transforma o patrimônio público em balcão de negócios, deixando a conta da irresponsabilidade para a população pagar com a perda de direitos e serviços.






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