O Banco de Brasília (BRB), a joia da coroa do Distrito Federal, acaba de apresentar a conta do seu flerte desastroso com o fraudulento Banco Master: R$ 8,8 bilhões. Esse é o valor que a instituição precisa levantar em um aumento de capital desesperado para não fechar as portas. O motivo do colapso? A compra de R$ 12,2 bilhões em carteiras de crédito falsas negociadas com Daniel Vorcaro. As investigações da Polícia Federal (PF) apontam como sendo, em grande parte, “créditos fictícios” ou simplesmente podres.
A operação de socorro, aprovada pelos acionistas nesta terça-feira (9), é o retrato fiel de como a extrema direita e o centrão tratam o patrimônio público: como um balcão de negócios para salvar amigos e banqueiros. Enquanto o governo do Distrito Federal (GDF) tenta vender a ideia de que o aporte é necessário para a “estabilidade do sistema”, o que se vê é a transferência massiva de recursos públicos para cobrir o rastro de uma gestão temerária que injetou R$ 16,7 bilhões no Master entre 2024 e 2025, em operações que agora estão sob a lupa do Ministério Público (MP).
O rastro de destruição de Daniel Vorcaro
O “milagre” financeiro de Daniel Vorcaro, o banqueiro que Flávio Bolsonaro chamou de “irmão” enquanto pedia uma “luz” de R$ 134 milhões, agora cobra seu preço na vida do cidadão brasiliense. O rombo no BRB é apenas uma peça de um quebra-cabeça de R$ 57 bilhões que envolve fundos de pensão e o Fundo Garantidor de Créditos (FGC). A estratégia do ex-governador bolsonarista Ibaneis Rocha foi empurrar o BRB para uma simbiose com o Master, transformando o banco público em uma lavanderia de ativos duvidosos que agora explodiram no colo do contribuinte.
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Para tentar estancar a sangria, o BRB anunciou a venda de R$ 15 bilhões em ativos e o corte de 60% nas verbas de publicidade e patrocínios — incluindo o polêmico contrato com o Flamengo. Mas o estrago já está feito. O banco, que deveria financiar o desenvolvimento do DF, agora atua como um paciente em estado terminal, dependendo de uma transfusão bilionária de capital privado e público para não sofrer uma intervenção do Banco Central (BC). É a privatização branca dos lucros e a socialização escancarada dos prejuízos.
O fantasma da privatização e a conta para o povo
A crise no BRB ressuscita o fantasma da privatização, um sonho antigo da ala neoliberal que agora usa o rombo como justificativa para entregar o banco de vez ao capital privado. Ibaneis Rocha, que sempre posou de gestor eficiente, saiu do governo e deixou a encrenca na mão na ultrabolsonarista Celina Leão, que agora enfrenta a resistência de deputados distritais que questionam por que o povo deve pagar por uma aventura financeira que beneficiou apenas uma cúpula ligada ao clã Bolsonaro e aos esquemas do Banco Master.




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