Dólar
R$ 5.12 Subiu
Euro
5.910 Subiu
Brasília
25°C 29°C 17°C

Explore Mais

Colunas exclusivas e conteúdos especiais

governo adia subsídio gasolina
Dário Duringan, ministro da Fazenda. Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil
ECONOMIA

Lula segura preço da gasolina por causa da guerra

Petróleo dispara, Rússia segura diesel e governo protege o trabalhador

O governo Lula decidiu adiar a retirada do subsídio da gasolina, anunciada na semana passada, em razão da escalada da guerra no Oriente Médio e da disparada do preço do petróleo. A informação foi confirmada pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan, nesta quinta-feira (9), em entrevista à Rádio Gaúcha. Assim, o governo vai continuar pagando uma parte do preço do litro para evitar que a alta de preços lá fora chegue ao bolso dos brasileiros.

“Ontem o petróleo voltou a subir para US$ 80 e aí temos que adotar com cautela a retirada de subsídio”, afirmou Durigan. “Esta semana eu iria anunciar a retirada da gasolina, [mas] vou analisar a retirada na próxima semana, porque o preço da gasolina já está com um impacto diferente [do] que eu estava prevendo.”

A decisão ocorre em um cenário geopolítico explosivo. Na quarta-feira (8), o preço do barril Brent saltou mais de 6% após Donald Trump declarar o fim do cessar-fogo com o Irã e reabrir a guerra no Estreito de Ormuz. Ao mesmo tempo, a Rússia suspendeu a exportação de diesel após ataques ucranianos destruírem refinarias, pressionando ainda mais o mercado global de combustíveis.

O imposto de exportação sobre o petróleo, hoje em 12%, será mantido, segundo integrantes da equipe econômica.

O histórico da proteção ao bolso do trabalhador

O subsídio à gasolina foi criado em maio deste ano, por meio de uma medida provisória assinada pelo presidente Lula, que garantiu até R$ 0,40 por litro para segurar o preço nas bombas. Desde março, o governo vem adotando uma série de medidas para conter a alta dos combustíveis — zeragem de tributos federais sobre o diesel, subvenção para produtores e importadores, e fiscalização ostensiva nos postos com apoio da Polícia Federal e dos Procons.

Na terça-feira (30), o governo já havia retirado uma parte do subsídio ao diesel, o equivalente a R$ 0,35 por litro. Mas a nova escalada da guerra inviabilizou o plano de fazer o mesmo com a gasolina.

O contraste com os governos de direita na América do Sul é gritante. Enquanto o Brasil segurou a alta da gasolina em 7,6% desde o início do conflito, Argentina (governada pelo neofascista Javier Milei) registrou 23,8% de aumento, e Chile (sob Jose Antonio Kast) viu os preços subirem 16,8%. A diferença é uma só: de um lado, o Estado atuando para amortecer o choque. Do outro, o mercado empurrando a conta para o bolso da população.

O cenário de curto prazo

O ministro também anunciou que o aumento da mistura de etanol na gasolina de 30% para 32%, prometido por Lula, deve sair nos próximos dias. A reunião do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) que trataria do tema foi adiada por causa da guerra, mas Durigan garantiu que a decisão dos 32% está mantida.

O governo também anunciou a renegociação de dívidas rurais, com impacto adicional de R$ 2 bilhões a R$ 3 bilhões por ano ao Tesouro Nacional, com taxas de juros que podem chegar a 6% ao ano para pequenos produtores e até 12% para grandes.

Enquanto o petróleo seguir sendo usado como arma de guerra pelo imperialismo estadunidense, o Brasil continuará pagando a conta para proteger o poder de compra dos trabalhadores. A retirada do subsídio fica para depois. A guerra de Trump não pode virar aumento no prato do povo brasileiro.

Deixe seu comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Final da página
WhatsApp

Frente LIVRE

Normalmente responde dentro de uma hora
Frente LIVRE

Olá 👋

Fale com o ciberporto da esquerda popular ✊💡

20:57