Atolado até o pescoço no escândalo do Banco Master, o Banco de Brasília (BRB) confirmou que não divulgará o balanço consolidado de 2025 dentro do prazo legal, que termina às 23h59 desta terça-feira (31/3). A decisão, comunicada à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) em fato relevante, ocorre em meio à auditoria forense a partir da Operação Compliance Zero, da Policia Federal. Sem uma nova data definida, o atraso expõe o banco a sanções regulatórias e aumenta a pressão de investidores e do Banco Central (BC), que pode decretar intervenção nos próximos dias.
A legislação exige que instituições financeiras publiquem suas demonstrações financeiras anuais até o fim de março. O BRB justificou o adiamento pela necessidade de concluir a análise dos impactos contábeis das transações com o Master, garantindo “fidedignidade, transparência e integridade” das informações.
A auditoria abrange tanto a apuração de irregularidades quanto a mensuração de prejuízos, estimados entre R$ 8 bilhões e R$ 13 bilhões por uma análise independente. O banco também não apresentou um plano detalhado para recompor o capital mínimo prudencial, afetado pela crise.
O descumprimento do prazo acarreta multas diárias da CVM, que podem chegar a R$ 25 mil por infração, além de processos contra administradores e, em casos extremos, suspensão do registro como companhia aberta — o que impediria a negociação de ações.
O BC, que intensificou o monitoramento sobre o BRB nos últimos meses, não sinalizou prorrogação, apesar de o banco ter solicitado extensão até junho. Especialistas alertam que o dano reputacional pode ser maior que o financeiro, elevando a volatilidade de ativos e o custo de captação.
Fraudes por todos os lados
A crise remonta à aquisição de R$ 12 bilhões em ativos do Banco Master, liquidado em janeiro após suspeitas de fraude. A operação, que afetou 1,5 milhão de investidores e consumirá um terço do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), deixou o BRB com rombo gigante em seu caixa.
Para mitigar, o Governo do Distrito Federal (GDF) articula um empréstimo de R$ 4 bilhões junto ao FGC, com carência de 18 meses e garantias em ativos públicos, como participações em estatais e imóveis. Outras medidas em estudo incluem venda de ativos, securitização de receitas e emissão de novas ações, a ser discutida em assembleia ainda sem data.
O episódio agrava a desconfiança no mercado, com analistas apontando falta de visibilidade sobre o tamanho das perdas. O BRB afirma ter solidez e um plano de capitalização, mas a ausência de números concretos — incluindo os balanços do terceiro e quarto trimestres de 2025 — mantém a incerteza.






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