Patrões conspiram no Senado pela PEC da miséria

Carta de empresários defende precarização contra fim da escala 6x1

PEC do trabalho flexível
Paulo Skaf, presidente da Fiesp, em lobby explícito no Senado contra o avanço da PEC que acaba com a escala 6x1. Foto: Lula Marques/Agência Brasil

A elite empresarial brasileira não tem limites na sua sanha por explorar a classe trabalhadora. Entidades patronais de peso, como Fiesp, CNI e CNC, lançaram nesta terça-feira (9) uma carta em defesa da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 12/2026, cinicamente apelidada de “PEC do Trabalho Flexível”. O documento tenta vender a ideia de que receber por hora trabalhada garante “liberdade” ao empregado. O objetivo real, no entanto, é sabotar a proposta que acaba com a desumana escala 6×1 e legalizar a miséria.

A narrativa dos patrões desmorona quando confrontada com a realidade. Um dossiê recente do Centro de Estudos e Pesquisas em Relações do Trabalho (CEPRT) prova que a flexibilização, aprofundada pela Reforma Trabalhista de 2017, institucionalizou a precarização no Brasil. A farsa da “livre negociação” individual serviu apenas para esmagar a renda e adoecer quem produz a riqueza do país.

A carta patronal é só mais um sinal da conspiração que vem se formando no Senado contra a PEC que acaba com a escala 6×1, aprovada na Câmara. Rodeado de outros dirigentes patronais, o presidente da Fiesp, Paulo Skaf, visitou vários senadores depois da votação dos deputados. Conseguiu que 40 deles assinassem o texto da tal PEC 12/2026, apresentado pelo líder do PL, Rogério Marinho (RN).

O presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), não só mandou o projeto dos empresários imediata e diretamente para a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), como segurou a PEC da escala 6×1 na própria gaveta. “O senado não tem obrigação de carimbar tudo o que vem da Câmara”, chistou. O presidente da CCJ, Otto Alencar (PSD-BA), tentou resistir a essa verdadeira esculhambação, mas cedeu 24 horas depois.

 PEC do trabalho flexível

Alcolumbre: Senado não tem obrigação de carimbar tudo o que vem da Câmara. Foto: Carlos Moura/Agência Senado

A mentira da liberdade e o avanço da miséria

O estudo do CEPRT expõe o desastre do trabalho intermitente, o grande símbolo dessa suposta modernização. Os dados revelam que a renda média mensal desses trabalhadores despencou para R$ 888, com 44% dos vínculos recebendo menos que um salário mínimo. Pior: 46% dos empregados passam o mês inteiro sem nenhuma convocação do empregador. É essa a “liberdade” que a PEC 12 quer expandir: a liberdade de não ter salário no fim do mês e de ter férias e décimo terceiro fatiados.

Pela proposta do senador bolsonarista Rogério Marinho (PL-RN), o contrato individual prevaleceria sobre os acordos coletivos, deixando o trabalhador completamente desprotegido diante do poder econômico da empresa. O risco do negócio é transferido integralmente para o empregado.

Flexibilização adoece a classe trabalhadora

Além do massacre financeiro, a flexibilização destrói a saúde ocupacional. A pesquisa do CEPRT, baseada em dados da Universidade de São Paulo (USP), aponta que a pressão por produtividade em contratos instáveis elevou em 18% a incidência de transtornos de ansiedade e esgotamento profissional.

A carta dos empresários ignora deliberadamente esse cenário. Ao defender a PEC 12, a burguesia tenta importar o modelo predatório dos Estados Unidos, onde a renda variável por hora gera insegurança financeira crônica. A classe trabalhadora não precisa de flexibilidade para ser explorada; precisa do fim da escala 6×1 e de direitos garantidos. A livre negociação entre desiguais tem outro nome: escravidão legalizada.

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