Nesta quinta (24), a 10 dias do primeiro turno, a Meta desabilitou unilateralmente a conta de anúncios oficiais da campanha de Luiz Inácio Lula da Silva no Facebook e no Instagram — “Eleições 2026 Luiz Inácio Lula da Silva Presidente” — e derrubou também a página do presidente na plataforma. O PT e a coligação Brasil Pronto Pra Mais recorreram, com prazo de seis horas para o restabelecimento, revisão humana obrigatória e ameaça de acionar a Justiça Eleitoral.
O candidato que lidera o impulsionamento pago na plataforma — com despesas de R$ 2,6 milhões — perdeu, da noite para o dia, a capacidade de criar e veicular novos anúncios e de usar públicos de propaganda eleitoral. No recurso, os advogados são diretos: a restrição representa “grave risco à paridade de armas do candidato no pleito eleitoral”.
Mega comício do presidente Lula em Maceió, nesta quinta (24). Foto: Ricardo Stuckert
A justificativa que não explica nada
Qual foi o motivo dado pela Meta? Uma mensagem genérica, reproduzida no próprio recurso: “Restringimos sua conta de anúncios porque parece que algumas das suas atividades não seguem nossas regras. Isso significa que você não pode veicular anúncios. Você pode pedir uma análise se acha que cometemos um erro.”
Ponto. Não diz quais atividades. Não apresenta exemplos. Não aponta conduta. Nada de “discurso de ódio”, nada de “desinformação” — porque não há. Há uma conta de campanha desligada numa frase de robô, a 10 dias da eleição mais disputada da década, com Lula e Flávio Bolsonaro em empate técnico.
Por isso a campanha fez três pedidos: restabelecimento em até seis horas, submissão da decisão à revisão humana (não a filtros automatizados) e preservação integral do acervo probatório — logs e banco de dados da conta. Pedir preservação de provas contra a Meta antes de qualquer processo é a linguagem de quem já sabe que vai precisar delas. E o PT não descarta levar o caso ao TSE; o secretário nacional de Comunicação, Éden Valadares, escreveu:
“A disputa eleitoral, as campanhas e o voto no Brasil não podem ficar à mercê da preferência política das big techs, cujos supostos erros de programação só atingem e prejudicam uma campanha e um candidato.”
O padrão, agora com nome e sobrenome
Ninguém precisa acreditar em conspiração. Basta juntar o que já está documentado.
1. A Meta que “não entende” de desinformação. Em agosto, a Anistia Internacional submeteu ao Facebook 15 anúncios eleitorais em português. 14 continham desinformação. Oito foram aceitos para publicação — mais da metade, incluindo anúncios de deslegitimação eleitoral. A plataforma “não detectou”. Detalhe: entre os irregulares aprovados estavam uma imagem falsa de inteligência artificial de Donald Trump ao lado de Flávio com a mensagem “vote em Flávio” e um deep fake do próprio presidente do TSE anunciando mudança na data da eleição.
2. A Meta que sabe, e muito bem, onde apertar. Em dezembro de 2025, perfis de Lula e de políticos de esquerda sumiram da busca do Instagram — “falha técnica”, disseram. Em julho, o shadow ban foi admitido por escrito contra a Frente Livre e contra o historiador Jones Manoel, 2 milhões de seguidores: “sua conta não pode ser exibida para não seguidores”. O conteúdo existe, é publicado, mas o algoritmo decide que ninguém vê. Chavoso da USP foi banido com mais de um milhão de seguidores. Esquerda Sexy também, com meio milhão de seguidores. A mentira da direita, hiperexibida; a verdade da esquerda, oculta. A esquerda depende do alcance orgânico — e a direita paga para aparecer.
3. Agora, o passo seguinte do roteiro: desligar o dinheiro da esquerda. Não é mais esconder o conteúdo. É cortar o impulsionamento — o único canal em que a campanha de Lula competia em pé de igualdade com a estrutura paga do bolsonarismo. A regra foi aplicada na reta final, com justificativa de robô, sem contraditório e sem escala de recurso que resolva antes do voto. É a assimetria que já conhecemos, levada ao limite: 24 horas para derrubar o vídeo ancorado na PF contra Flávio; dez dias para a Meta explicar os deep fakes que favorecem Flávio; e zero horas de paciência com a conta de anúncios de Lula.
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O árbitro que olha para o lado
E a pergunta que fecha o circuito é a mesma de sempre: onde está o TSE? A norma que a Meta desrespeita existe. O padrão é público e documentado. A conta de anúncios do candidato da situação foi desligada por uma empresa estrangeira a 10 dias da eleição — e o tribunal que deveria garantir a paridade de armas é presidido por um ministro cujo nome aparece no celular de Daniel Vorcaro, com contrato de R$ 427 milhões condicionado a votos, diária no Fasano, encontro com garota de programa, mesada de meio milhão para o filho advogado, e um cronômetro que já escolheu seu lado.
O golpe não precisa de tanque na rua. Precisou de um algoritmo que desligou a conta certa, no dia certo, com uma frase genérica — e de um árbitro que olha para o lado enquanto o país decide se a eleição acontece em condições iguais.
O Brasil vota em 4 de outubro. A Meta decidiu que, até lá, a campanha do presidente vai correr com uma mão amarrada. A pergunta é: quem vai desamarrar? Nós respondemos: nós, o povo brasileiro. Vamos compartilhar todos os conteúdos da conta da campanha do presidente Lula.
