Extrema direita peruana sobe o combustível e baixa o cacete no povo

Diesel chega a R$ 33 por galão e paralisação chega ao terceiro dia

Peru Keiko Fujimori combustível
População tocou fogo nas ruas na região de Ucayali, que está no terceiro dia de greve por causa do preço dos combustíveis. Foto: Reprodução Redes Sociais

A região de Ucayali, no Peru, vive o terceiro dia de greve com bloqueios, enfrentamentos com a polícia e desabastecimento de combustível. O diesel chegou a 22 soles (cerca de R$ 33) por galão. O gasohol regular (mistura de gasolina com etanol) subiu de S$ 16 para S$ 20. Transportistas, frentes de defesa e organizações sociais bloquearam a rodovia Federico Basadre, principal via de Pucallpa. A polícia foi enviada para desbloquear os pontos e foi acusada de uso excessivo de força. Os manifestantes exigem a presença da presidente Keiko Fujimori na região. Ela não foi.

As protestas se espalharam para quatro regiões: Ucayali, Loreto, Arequipa e Tacna. É a primeira crise multirregional do governo Fujimori, que assumiu o poder há semanas. O Ministério de Energia e Minas (MINEM) e o Ministério de Economia e Finanças (MEF) anunciaram subsídio ao combustível em Ucayali para tentar conter os protestos. Tarde demais. O desabastecimento já provoca filas em postos, comércios fechados e suspensão de aulas.

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A crise do governo de extrema direita

A crise de combustível é produto das medidas do novo governo de extrema direita do Peru. Keiko Fujimori, filha do ex-ditador Alberto Fujimori, assumiu a presidência após eleições marcadas por denúncias de fraude e intervenção estrangeira. O aumento dos combustíveis ocorre no contexto de um choque internacional no preço do petróleo devido à crise do estreito de Ormuz, mas o governo Fujimori repassou o custo ao povo sem medidas de proteção social. O resultado foi previsível: explosão social.

A Defensoria del Pueblo do Peru supervisiona os protestos e advertiu sobre afetações em Ucayali. Organizações sociais denunciam indiferença do governo. O ex-ministro Roberto Sánchez declarou: “O governo ilegítimo também é incapaz de solucionar os efeitos da economia”. A Crónica Viva publicou: “Pucallpa se levanta contra Keiko Fujimori devido aos aumentos nos preços dos combustíveis”. A Agência Sputnik noticiou: “Keiko Fujimori enfrenta seus primeiros protestos no Peru em meio à crise de combustíveis”.

O roteiro fujimorista

A repressão policial em Ucayali reacende o fantasma do fujimorismo. Alberto Fujimori governou o Peru nos anos 1990 com morte, desaparecimento e esterilização forçada de indígenas. Keiko herdou a máquina. A resposta ao aumento de combustível não foi diálogo. Foi polícia. A presidente foi convocada a viajar a Ucayali. Ignorou. O povo parou. A polícia reprimiu. É o roteiro conhecido das direitas latino-americanas: provocar a crise, ignorar o povo, reprimir a resposta.

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