Golpe neofascista censura até os bispos do Brasil

CNBB perde a conta oficial dias depois de defender soberania brasileira e democracia

Por Redação
X silencia CNBB bispos
Dom Jaime Spengler, bispo de Porto Alegre e presidente da CNBB. Foto: Fiama Tonhá

Nesta sexta-feira (25), a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil informou que perdeu o acesso à conta oficial @cnbbnacional no X. A entidade acionou o suporte da plataforma, já encaminhou as comprovações de titularidade e, enquanto a situação não se normaliza, orienta que portal, Instagram, Facebook, YouTube, TikTok e LinkedIn sejam tratados como canais oficiais. O que aconteceu, a nota não diz: a CNBB não detalha se houve invasão, suspensão ou restrição aplicada pela plataforma. A Frente Livre afirma: o que houve foi censura eleitoral, mais um capítulo da ingerência do governo fascista de Donald Trump na eleição brasileira, tendo como intermediárias suas fiéias aliadas, as plataformas de redes sociais.

E por que isso importa a 9 dias do voto? Porque a conta não sumiu num dia qualquer. Sumiu na semana em que a Igreja Católica — empurrada para dentro da campanha pela própria extrema direita — começou a falar alto, e do lado oposto ao que os neofascistas esperavam.

A fé jogada na campanha

Foi preciso os neofascistas transformarem a fé em arma de campanha para a CNBB sair da sacristia. Os caras do programa Pânico, da rede bolsonarista Jovem Pan, espalharam um vídeo editado do presidente Lula, manipulado para fazer parecer que o governo questionava a possibilidade de freiras celebrarem missas. A manobra colocou a religião católica no centro da disputa — e produziu o efeito contrário ao planejado.

Em vez de servir de palanque, a Igreja entrou pelo outro lado. Não para abençoar o projeto de poder que apostou no voto evangélico e na fachada católica, mas para defender exatamente o que essa campanha ataca: a soberania nacional, a democracia e o voto consciente.

O timing que não é coincidência

A sequência está documentada, com data:

  1. 7 de setembro: a CNBB divulga mensagem reafirmando o compromisso com um Brasil “livre e soberano, democrático, justo e fraterno”, o respeito à Constituição, às instituições republicanas e à soberania nacional.
  2. Nesta semana: Dom Orlando Brandes, arcebispo emérito de Aparecida, declara que “nenhum poder de fora, seja quem for, não deve mandar aqui”. Bispos da Regional Norte 1 da CNBB publicam posicionamentos em defesa da soberania brasileira, da democracia e dos direitos da população (veja vídeos abaixo).
  3. 25 de setembro: a conta da CNBB some do X.

No meio disso, a campanha religiosa adversária seguia ativa: ressurgiram nas redes as publicações que associam Flávio Bolsonaro ao projeto apresentado por um pastor evangélico quando era deputado federal de retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil — o projeto é de 2007, do então deputado Professor Victório Galli, foi arquivado em 2008 e Galli viria a ocupar cargo no governo de Jair Bolsonaro. O candidato gravou vídeo negando: “Isso é uma grande mentira. Não tem pé nem cabeça.”

A fé foi usada como munição. E no momento em que a instituição máxima da Igreja Católica no Brasil usou a própria voz para responder com soberania, a voz foi cortada.

O que não afirmamos

Sejamos rigorosos, porque é isso que separa a denúncia da militância. A CNBB não atribuiu causa. Não há confirmação técnica de que o X suspendeu a conta em razão das mensagens. Pode ter sido ataque externo, moderação arbitrária ou falha — não juramos o mecanismo. O que está documentado é a coincidência datada: as vozes institucionais da Igreja passam a defender a soberania a 9 dias do voto, e a comunicação delas deixa de existir na plataforma controlada por quem já demonstrou, repetidamente, preferência pelo outro lado.

O tijolo novo no dossiê

Agora olhe a linha do tempo do silenciamento:

  1. dez/2025: perfis de Lula e de políticos de esquerda somem da barra de buscas do Instagram. “Falha técnica”, disseram.
  2. jul/2026: shadow ban admitido por escrito contra a Frente Livre e contra o historiador pernambucano e candidato a deputado federal pelo PSOL, Jones Manoel, isso depois do banimento do Chavoso da USP, da Esquerda Sexy e de tantas outras contas progressistas; a Anistia Internacional registra 8 de 14 anúncios com desinformação aprovados pelo Facebook.
  3. 23/09: a Meta desliga unilateralmente a conta de anúncios oficiais de Lula, a 10 dias do voto, com justificativa genérica.
  4. 25/09: a CNBB perde o acesso ao X, dias depois de bispos defenderem a soberania nacional.

E o detalhe que fecha o circuito: a mesma plataforma que cortou o sinal da conferência episcopal segue hospedando, imune, a propaganda eleitoral ilegal do Polymarket — a bolsa de apostas proibida no Brasil que o candidato e aliados divulgam como se fosse pesquisa, com “58% de chance de vitória” estampado para o eleitor. Aposta ilegal circula; a voz dos bispos, não.

O algoritmo sabe onde apertar. Sempre soube.

 

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Quem sobra?

Os alvos anteriores eram um veículo de esquerda, um historiador comunista, um candidato. Agora é a conferência episcopal — a instituição que fala pelo maior eleitorado religioso do país e que historicamente se manteve fora do palanque. Quando a CNBB se pronuncia, é porque a campanha adversária forçou a fé para dentro do jogo; quando ela se pronuncia a favor da soberania, a conta some.

Se o padrão alcançou os bispos, quem sobra fora do alcance do algoritmo?

O Brasil vota em 4 de outubro. A pergunta é se chega lá com todas as vozes que defendem a democracia no ar — ou se o silêncio vai sendo instalado, conta por conta, a cada dia mais perto da urna.

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