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Audiência quase pública presidida pelo deputado Wellington Luiz (de branco) com Nelson de Souza (D) e os deputados distritais: se não aprovarem o socorro, será o caos no DF. Foto: Agência Câmara Legislativa
ECONOMIA

Por socorro, presidente do BRB ameaça DF com caos

Executivo ameaça parar transporte e remédios se plano cair

O presidente do Banco de Brasília (BRB), Nelson Antônio de Souza, transformou uma audiência “pública” na Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) em um palco de chantagem explícita. Na manhã desta segunda-feira (2), a portas fechadas, o executivo colocou uma arma na cabeça dos deputados distritais: ou a Casa aprova a toque de caixa o plano de socorro desenhado pelo governador Ibaneis Rocha (MDB) para injetar alguns bilhões no BRB ou o Distrito Federal mergulhará no caos absoluto.

A ameaça foi detalhada e sem meias palavras, segundo interlocutores que acompanharam o encontro e relataram o teor da conversa. Souza avisou que a rejeição da proposta — que entrega nove imóveis públicos como garantia para um empréstimo de salvação — terá consequências catastróficas e imediatas para a população. O cardápio do terrorismo imposto pelo presidente do banco inclui a interrupção de investimentos em programas sociais, a paralisação do transporte público, a suspensão da entrega de medicamentos de alto custo e o congelamento das operações de crédito. Para justificar a extorsão política, o executivo tentou apagar a história recente, afirmando que o debate “não é o passado, é a estabilidade futura”.

O passado que o BRB quer esconder

O passado que Nelson de Souza tenta varrer para debaixo do tapete tem nome, sobrenome e um rombo bilionário: Banco Master. O desespero do governo Ibaneis para aprovar o repasse dos imóveis é uma tentativa de cobrir o buraco deixado por uma gestão temerária. Entre 2024 e 2025, o BRB ignorou todos os alertas de risco e se tornou o maior comprador de ativos do Master, uma instituição privada que já dava sinais claros de colapso de liquidez.

Os números do sistema IF.data do Banco Central expõem a irresponsabilidade. Em apenas 12 meses, a carteira de crédito do BRB saltou de R$ 37 bilhões para R$ 57 bilhões. Desse total, pelo menos R$ 12,2 bilhões foram atrelados a papéis fraudados, para não dizer grotescamente falsificados, do Banco Master, que viria a quebrar fragorosamente. Mais de 20% da carteira do banco público candango foi contaminada por ativos tóxicos, comprometendo de forma letal a solidez da instituição.

Falta de transparência e a sombra da privatização

Apesar da gravidade da chantagem, a reunião não serviu para esclarecer a real situação financeira do BRB. Deputados tanto da base governista quanto da oposição saíram do encontro no escuro. O deputado distrital Fábio Félix (Psol) resumiu o clima de desconfiança e a suspeita de uso político da crise.

“Corremos contra o tempo, porque esse projeto também está alinhado com a agenda eleitoral. Então, não sabe se ele serve mais à agenda eleitoral dos pré-candidatos de 2026 ou se ele serve realmente a salvar o Banco de Brasília. Tem várias dúvidas jurídicas, políticas e técnicas em torno desse projeto”, denunciou o parlamentar.

Encurralado pelo próprio rombo, o BRB agora flerta abertamente com a privatização. Durante a reunião, Nelson de Souza descartou a possibilidade de federalização e admitiu que há pressão para privatizar a instituição. O roteiro, aliás, já está sendo desenhado nos bastidores. Em janeiro deste ano, Ibaneis Rocha nomeou Edison Garcia para o conselho de administração do banco. O currículo de Garcia soa como um aviso fúnebre: foi ele quem conduziu a privatização da Companhia Energética de Brasília (CEB) sob o mesmo governo Ibaneis, e hoje, convenientemente, ocupa cinco conselhos da Neoenergia, a empresa privada que arrematou a estatal.

Plenário não sabe o que fazer

Horas depois, já no plenário, o tema voltou. Da tribuna, além de deputados que fazem oposição ao Palácio do Buriti, Rogério Morro da Cruz (PRD), líder do Bloco União Democrático, anunciou que votará contra a proposição. Na terça (24), o vice-líder do PL, Thiago Manzoni, já havia anunciado rejeição à proposta.Antes de manifestar sua posição, Morro da Cruz disse ser necessário “refletir como uma gestão irresponsável pode conduzir uma instituição do povo do Distrito Federal a uma situação próxima à falência”. Na avaliação dele, “os parlamentares que concordaram, no ano passado, com a compra do Banco Master pelo BRB foram induzidos ao erro”. “Fomos, sim, enganados”, afirmou, acrescentando, em relação à proposta de venda de imóveis, que “não incorrerá em novo erro”.

Líder da minoria, deputado Gabriel Magno (PT), cobrou do governador explicações sobre declaração “relacionada à venda de imóveis do DF para reforçar o caixa do BRB”, cujo objetivo seria “dar sobrevivência” ao banco. “O que o Ibaneis Rocha quer dizer?”, indagou. O distrital criticou ainda a inclusão, na lista dos terrenos a serem comercializados, de área conhecida como Serrinha do Paranoá, “um local cheio de nascentes”.

Falando em nome do Bloco PSOL/PSB, o deputado Max Maciel (PSOL) questionou o valor sugerido, no PL 2175/2026, para os 11 imóveis listados: cerca de R$ 6,6 bilhões. Segundo o distrital, somente uma área pertencente à Caesb, no Setor de Indústria e Abastecimento (SIA), próxima à EPTG, poderia alcançar R$ 10 bilhões. “Na crise, ninguém vai querer pagar o que realmente vale”, comentou. Do mesmo partido, o deputado Fábio Felix tratou do caso como “depredação do patrimônio público”.

Já o líder do PT, Chico Vigilante relatou que acionou o Tribunal de Contas do Distrito Federal para que esclareça o teor e o status de “46 pedidos de investigação relacionados ao BRB que estariam tramitando naquela corte”. Também requereu à Procuradoria Geral do DF que promova ação para bloquear a parte do BRB que, segundo ele, “foi adquirida de maneira fraudulenta pelo Banco Master”.

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