As florestas brasileiras renderam uma produção econômica de R$ 47,9 bilhões em 2025, o maior valor já alcançado na série histórica, com alta de 6,7% em relação ao ano anterior. Os dados são da pesquisa Produção da Extração Vegetal e da Silvicultura, divulgada nesta quinta-feira (24) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Mais um recorde para somar à avalanche do governo Lula.
Mais um tijolo na pilha de recordes
O número entra para uma sequência que a direita insiste em não enxergar: os 103 milhões de pessoas ocupadas, o maior volume da aviação desde 2000, a fila do INSS a fila do INSS zerada — o governo anunciou, em setembro, o fim da espera atrasada, com tempo médio de concessão de 34 dias e o instituto analisando mais pedidos do que recebe novos —, a renda per capita batendo marcos e agora a produção florestal no topo da tabela. A cada divulgação do IBGE, cai mais um pedaço da narrativa do “país quebrado”. Até as árvores — que o pessoal do “Estado não gera riqueza” jurava que só existiam para o vento balançar — estão produzindo mais.
Posto de serviço dos entregadores de aplicativos em São Paulo: mercado de motos aquecido e produção recorde. Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil
Silvicultura dispara, extrativismo recua
Por trás do recorde há uma fotografia do modelo: a silvicultura, produção de áreas plantadas, saltou 8,6% e atingiu R$ 41 bilhões. Já a extração vegetal, de áreas nativas, recuou 3,1%, para R$ 6,9 bilhões. Desde 2019, o valor da silvicultura cresceu 165%, segundo o IBGE, que atribui o salto a “investimentos em práticas sustentáveis, que o tornam altamente competitivo no mercado internacional”.
As florestas plantadas somaram 10,4 milhões de hectares (104 mil km²) — mais que o tamanho de Pernambuco. Desse total, 78,6% são de eucalipto, matéria-prima da celulose, que rendeu 22,2 milhões de toneladas, 12,7% a mais que em 2024. Tradução simples: o Brasil exporta, gera emprego e arrecada com a floresta. E quem jurou que o governo ia quebrar o país agora tem de engolir que até o eucalipto anda melhor sob a política econômica que eles apedrejam.
O que a foto não mostra
Mas a Frente Livre não é órgão de divulgação do agronegócio. O recorde é real — e esconde a outra ponta da tesoura. Enquanto a monocultura de eucalipto da indústria de celulose dispara, o extrativismo — o mundo do açaí, da castanha, das comunidades que tiram a vida da floresta em pé — perde espaço. A pergunta que temos que fazer para escolher o melhor modelo de desenvolvimento é quem fica com o lucro do eucalipto: o trabalhador que planta, ou a corporação que exporta a celulose?
O recado da pesquisa, no fim, tem dois gumes. Para o palanque, é mais um recorde de Lula 3 para a direita engolir calada. Para a análise, é o retrato de um modelo que precisa ser confrontado: a floresta rende — a questão é para quem ela rende. Enquanto isso, os números seguem subindo, e o terrorismo fiscal segue descendo ladeira abaixo.
