Quinta queda de juros alivia o bolso e a dívida

Banco Central reduz a taxa de juros brasileira em 0,25 ponto, para 13,75% ao ano

Por Redação
queda da Selic
Imagem: FLIA

O Banco Central (BC) cortou os juros básicos da economia pela quinta vez consecutiva. Por unanimidade, o Comitê de Política Monetária (Copom) reduziu a Taxa Selic em 0,25 ponto percentual, para 13,75% ao ano, nesta quarta-feira (16). A decisão veio apesar das tensões da guerra no Oriente Médio e do fenômeno climático El Niño.

O corte é o desfecho de um ciclo que começou em março. De junho de 2025 a março deste ano, a Selic ficou travada em 15% ao ano, o maior nível em quase 20 anos, por nove meses. O Copom voltou a cortar os juros em abril, num cenário de queda da inflação. Agora, a taxa chega ao menor patamar do ciclo, e a dívida pública começa a respirar.

A engrenagem que começa a desmontar

A queda da Selic tem efeito duplo: barateia o crédito e incentiva a produção e o consumo, mas também alivia a conta que mais sangra o Orçamento — os juros da dívida pública. Gestada com a base de juros nas alturas, a dívida bruta saltou de 71,7% do Produto Interno Bruto (PIB) em dezembro de 2022 para 81,9% em junho de 2026, alcançando R$ 10,8 trilhões. Ela cresceu não por gasto social descontrolado, mas porque o governo, maior devedor da economia, pagou juros de rentista durante os nove meses de Selic a 15%.

A cada 0,25 ponto percentual de corte, o Tesouro Nacional economiza R$ 1,6 bilhão ao mês. E a tendência de melhora já se desenha: com os juros caindo, o custo de rolagem da dívida diminui. Em um ano, os cinco cortes acumulados (de 15% para 13,75%, ou 1,25 ponto) representam uma economia que já se aproxima de R$ 8 bilhões mensais. E isso é só o começo: o Tesouro ampliou para entre 49% e 53% a parcela da dívida atrelada à Selic no Plano Anual de Financiamento 2026, o que significa que cada corte futuro terá peso ainda maior.

A hipocrisia do ajuste

A queda expõe a hipocrisia do discurso do ajuste fiscal. Enquanto a Selic esteve a 15%, a dívida explodiu e o mercado financeiro lucrou. Agora que os juros caem, os mesmos analistas que embolsaram a taxa alta aparecem pedindo corte de BPC, salário mínimo e gastos sociais. O mercado manteve pressão sobre a Selic durante todo o governo Lula, criou o problema com juros altos e quer que o trabalhador pague a solução com corte de direitos.

A conta que sangra o Orçamento não é o BPC. É a Selic. A cada corte de 0,25 ponto, o Tesouro respira; a cada mês a 15%, o rentista engorda. A dívida pública não é fruto de gasto social descontrolado, é fruto de juros de rentista. E o rentista não quer abrir mão dos juros — quer abrir mão do BPC.

Um Copom desfalcado

A decisão foi tomada por um Copom desfalcado: o mandato dos diretores de Organização do Sistema Financeiro, Renato Gomes, e de Política Econômica, Diego Guillen, expirou no fim de 2025, e o presidente Lula até agora não encaminhou as indicações dos substitutos ao Congresso Nacional. Ainda assim, o comitê seguiu o caminho da queda, ancorado na desaceleração da inflação, que cai pela quinta semana consecutiva.

O corte de hoje não é milagre nem favor. É o resultado de uma política econômica que segurou a inflação enquanto o mundo inteiro repassava a conta da guerra para o consumidor. Juros menores significam crédito mais barato, mais produção, mais consumo e menos dinheiro do Orçamento queimado pagando dívida. A direita pode continuar chamando os dados de “não sei o quê”. A Selic em 13,75% fala por si: o país está no rumo certo, e o rentista que se prepare.

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